domingo, 31 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
O Douro
Acho que tem qualquer coisa de oriental.
Somos todos assim?
Também podemos argumentar que é uma questão de preservação da espécie e mandar os deuses às urtigas.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Retratos
sábado, 16 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Pois,a crise...
segunda-feira, 11 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
Um 25 de Abril tristonho...
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Praça de S. Tiago - Guimarães
Pedras
PEDRAS NOCTURNAS E DIURNAS
Não se pede segredos a uma pedra. Diz-se à criança: - Fica muda, de pedra.
Sempre houve pedras mais pedras que outras que são preciosas, pedras que se tingem das cores que assombram. Pedras que dão sombras para adormecer. Pedras que de noite se escondem no ar, assustam. Pedras que cortam árvores e outras que adormecem a seus pés, lembram rebanhos curvados. Há pedras que estão de cabeça levantada à espera da mão de Deus?
Todas as pedras deambulam. Evadem-se. Os ventos do céu sabem disso. Na montanha a voz das pedras sente-se pesada. (A montanha escoou-se entoando a pedra.)
- Estrondosa, diz-se à criança. Sacodem o silêncio que abriga sementes e as revestia. Belos animais pardos e luzidios com quem falamos. Nocturnos e diurnos, dentro e fora da terra. Pedras nos compêndios escolares e à chuva com fastidiosa passividade. Pedras com cabeça de nuvens. E pedras no bolsito da criança.
Há a pedra sombreada enquanto a Lua parece a pedra do céu. Há a que retém lágrimas demais, se se quiser, orvalho, por ser triste pela manhã. Há pedras alegres que são espelhos as mais das vezes. Abrem-se e a criança entra nas portas encerradas.
(in Claro Escuro ou a Nefasta Aurora)
José Emílio-Nelson
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Os velhos, os pombos e os gatos...
(os velhos, os pombos, os gatos)
Alguns habitantes queixam-se dos pombos. Do mal
que fazem às fachadas, às estátuas, à pintura
dos automóveis. Os pombos não voam a gasolina
e têm humaníssimos hábitos como a gula, as
rivalidades do cio, a sede e a urgência
de defecar. Detestam coleiras, gaiolas, amparos
de casota, ausência de jardins
e adornos de penas alheias. E por este divino
despojamento recebem, às vezes,
algum milho displicente dádiva
de crianças para a fotografia, ou de benignos
velhos reformados. Algumas mulheres continuam
a socorrer os antiquíssimos (e terrestres) gatos
vadios. Gatos da minha infância. Dos muros,
das traseiras, dos quintais - o Sindbad, a Pardoca - com
restos de arroz em papéis engordurados. Carinhosas
velhas, atentas à famélica e materna condição
das ninhadas, enquanto os pombos e os velhos
debicam espaços de pedra onde levavam asas
e entre todos assoma, por instantes,
a decaída aliança entre o Céu e a Terra.

